quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Eu
Sempre me disseram que quando adultos, as coisas automaticamente tornar-se-iam mais difíceis.
Além da constatação obvia e manjada que ouvimos de quase todo mundo, percebi que perdemos também o encanto de acreditar nas coisas bonitas e verdadeiras.
O detalhe do detalhe, as cores do céu, o aroma de uma flor.
A vontade de esperar algo bom, a música e a dança.
Lembranças, tempo, vivência e essência.
Tudo que construí até agora, tudo que acreditei um dia, vai se apagando conforme o tempo.
Conceitos novos definem-se sem que eu queira ou perceba, como se fossem uma autodefesa da minha mente, tentando proteger meu coração das futuras e certeiras decepções.
Estou virando um escudo que me protege do ruim, mas também das sensações boas.
Ganho conhecimento, ganho experiência, ganho maturidade, mas também a noção de que as coisas não são como eu gostaria que fossem na maioria das vezes.
Hoje sinto uma leve descrença interior e toda aquela vontade de prever o futuro vai embora com o vento.
Aprendemos a viver um dia de cada vez sem fazer contagem regressiva para as datas boas e sem esperar nada de ninguém, porque percebemos que só assim poderemos viver sem o erro de esperar sempre demais.
E por mais que sempre estejamos rodeados de pessoas, a vida resume-se ao ‘Eu’.
Um ‘Eu’ sozinho que entende aos poucos, mas dolorosamente, que a vida é e termina assim.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Gota d'água
Sábado à tarde.
Dentro
do carro e pensando na vida, retornava à minha cidade Natal.
Como fazia todo (ou
quase todo) sábado.
De
repente, começou a chover.
Até
então era apenas isso.
Eu,
a chuva, e o trânsito lá fora.
Uma
sintonia que zumbia no interior da minha mente e talvez fizesse mais barulho do
que milhões de pessoas conversando em um bar com muita bebida.
Mas
o barulho foi interrompido por uma dúvida que me persegue e que, naquele
momento, silenciou tudo que estava em volta:
A
onde eu quero chegar?
A
sensação é de estar andando à procura de algo que eu não faço ideia do que
seja.
De
repente minha voz interior me diz: procura menina, você é grandinha e têm que
se achar sozinha!
Como
se fosse fácil.
A
dúvida de pra qual lado ir e até quando seguir me enlouquece aos poucos.
Bem
aos poucos.
Olhei
para fora da janela, e muitas gotinhas estavam grudadas nela.
Com
o vento elas se mexiam e, quando pareciam seguir para um lado, acabavam indo
para outro, até se esgotarem no fim do vidro.
Senti-me
uma gota d'agua.
Será
que essa é a minha vida?
Gotas que se dispersam
por caminhos diferentes e que, de vez enquando, se encontram e seguem juntas,
até que, de novo, evaporam por ai?
Com
os dedos pude seguir as tais gotas e quis ver a onde elas iriam dar.
Para
a minha surpresa, nem elas eu pude controlar.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Eu, eu mesma
Esse ano que estou deixando para trás teve um início
conturbado, e desde o começo me senti como se estivesse fazendo um teste.
Entre tantas revoluções internas e externas, errei e
aprendi muito.
Reconheço 2011 como um ano de aprendizado e
ultrapassagem de limites.
Saí da minha zona de conforto e me perdi em um lugar
vazio, onde tive que me reconstruir como pessoa.
E, ao contrário de todos os anos anteriores, onde a
cada fim eu desejei evaporar e liberar todos os meus sais e minerais, desta
vez, pretendo ficar com cada pedacinho deles.
Entendi que são esses pequenos pedaços de mim,
juntamente com meus medos e dúvidas, que me fazem uma pessoa melhor.
E não importa o que eu faça , estes medos permanecem e
eu já não me desfaço mais.
Não desejo mais me desfazer do que foi vivido, dito ou
feito. Mistura de saudade das coisas boas e rancor das ruins, preciso dessas
lembranças pra seguir em frente.
O meu desejo maior é viver o hoje.
O amanhã fica guardado, como se fosse uma caixa que só
é aberta por mim na hora certa.
Em 2012 serei eu, eu mesma, incessantemente eu, com a
felicidade merecida por mim nesse mundo e em qualquer outro que exista.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Navegar é preciso
Planeta conturbado e agitado.
Todos querem dinheiro, mais sucesso, o mundo
inteiro.
Além de todos os pré-conceitos,
Conceitos
E Devaneios
Tudo se descarta, sufoca, entorta.
Eu tento.
Mas quanto mais eu penso,
Menos entendo.
Quero um lugar que me traga paz
Sentir o melhor que a solidão me trás.
Chega de querer entender
Eu preciso viver.
Sinto-me olhando um céu azul de nuvens retalhadas.
Pego no sono e sonho com borboletas atordoadas.
Eu sou o contento,
O silêncio
E o tempo.
Sempre que acordo,
Uma voz surge com o vento:
Ei, navegar é preciso.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Voltas
Tudo é passageiro,
Assim
como o vento.
Assim
como o vento,
Tudo
é passageiro.
O
tempo,
O
sentimento
E
o pensamento.
Tudo
é fugaz,
Capaz,
Vivaz.
Só
não olhe nunca para trás.
Só
não olhe nunca para trás,
Tudo
é fugaz.
Pensamentos
em movimento
Não
encontro um contento
E nada me trás um alento.
Eu vejo tudo girar
E
quanto mais tento parar
Mais
me vejo rodar.
Minha
vida é assim,
Um
parque,
Um
jardim.
Uma
junção de rodas gigantes, carrosséis e cata-ventos.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Cata-vento ao contrário
Vou me curtir assim
Até não sobrar mais forças.
Até eu não conseguir mais pensar.
Até que nada disso faça mais sentido algum.
O cata-vento vai virar
E o vento há de me ajudar.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Carta de Alforria
Durante alguns dias, pude ver e
sentir coisas que já há algum tempo não sentia.
Engraçado como o
tempo passa em um piscar de olhos quando a vida que está em volta deseja
realmente ser vivida.
Posso dizer que eu
pisquei, vivi e despertei.
Despertei para a
minha liberdade.
Minha ânsia de viver momentos
bons e conhecer pessoas novas.
Minha necessidade de sorrir e
receber outro sorriso em troca, sem precisar desejar e esperar.
Por algum estranho
momento, eu decidi ser o que não fui até hoje e, ao contrário do que antes eu
pensava, essa decisão me trouxe um sentimento estranho de estar completamente
certa. E completa.
Foi um sentimento que
me absorveu por inteira, me fazendo flutuar.
Hoje me sinto leve,
mas com força.
Uma força que vem de dentro da
alma e me faz querer continuar.
Me faz sonhar.
Foi uma única semana,
diferente de todas as outras que já tive, que me tirou de dentro de um lugar em
que eu já não queria mais estar.
Sou livre.
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