(...)O relógio marcava a hora
Mas não dizia o dia. O Tempo,
desconcertado,
estava parado.
Sim, estava parado
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas.
(MÁRIO QUINTANA)
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Imagens Escritas
Uma amiga me mandou um email hoje, e me fez relembrar tudo o que eu passei neste ano que está terminando.
Incrível poder enxergar cenas, imagens verdadeiras, de tudo o que ela expressou em palavras.
Aqui vai, um resumo do meu ano, do ano dela, do nosso ano, do seu ano, do ano de muitas pessoas por aí. Cada um com seus detalhes, segredos, medos e emoções.
" Já fiz cosquinhas na amiga só para ela parar de chorar. Me queimei brincando com vela. Fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Conversei com o espelho e até brinquei de bruxa!
Quis ser cozinheira, Alice, modelo, mágica, lutadora de boxe e publicitária! Me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora. Surpreendi pessoas e até eu mesma! Passei trote por telefone. Tomei banho de chuva e viciei.
Magoei, e fui magoada. Roubei beijos, confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Raspei o fundo da panela de brigadeiro. Chorei ouvindo música no metrô. Tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais dificeis de esquecer.
Deitei no gramado para ver estrelas cadente. Subi em árvores para roubar frutas. Caí da escada de bunda. Fiz juras eternas. Escrevi na parede do bar. Tomei pingas. Chorei sentada no chão do banheiro (e de vários neh!?). Fugi de casa para sempre, e voltei no outro instante. Corri para não deixar alguém chorando.
Fiquei sozinha no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só! Já vi por-do-sol cor de rosa e alaranjado. Me joguei na piscina sem vontade voltar! Bebi uísque até sentir meus lábios dormentes, virei muitas doses de vodka em nariz de palhaço! Olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar! Senti medo do escuro, do travão!
Tremi de nervoso. Quese morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial! Joguei bebida nos outros. Acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Deitei nos asfalto e não quis levantar! Gritei de felicidade.
Briguei na balada, senti raiva de muita gente. Apostei corrida descalça. Me apaixonei e achei que era pra sempre, mas pra sempre era um "pra sempre" pela metade.
Ganhei canções. Cantei no chuveiro. Deitei no quintal na madrugada para ver a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão!
Descobri que pode-se amar, e amar. Tive vontade de partir, começar do zero. Pensei em desistir. Cometi algumas locuras. Errei . Acertei. Adorei. Amei.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardado num baú, chamado coração!"
Incrível poder enxergar cenas, imagens verdadeiras, de tudo o que ela expressou em palavras.
Aqui vai, um resumo do meu ano, do ano dela, do nosso ano, do seu ano, do ano de muitas pessoas por aí. Cada um com seus detalhes, segredos, medos e emoções.
" Já fiz cosquinhas na amiga só para ela parar de chorar. Me queimei brincando com vela. Fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Conversei com o espelho e até brinquei de bruxa!
Quis ser cozinheira, Alice, modelo, mágica, lutadora de boxe e publicitária! Me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora. Surpreendi pessoas e até eu mesma! Passei trote por telefone. Tomei banho de chuva e viciei.
Magoei, e fui magoada. Roubei beijos, confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Raspei o fundo da panela de brigadeiro. Chorei ouvindo música no metrô. Tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais dificeis de esquecer.
Deitei no gramado para ver estrelas cadente. Subi em árvores para roubar frutas. Caí da escada de bunda. Fiz juras eternas. Escrevi na parede do bar. Tomei pingas. Chorei sentada no chão do banheiro (e de vários neh!?). Fugi de casa para sempre, e voltei no outro instante. Corri para não deixar alguém chorando.
Fiquei sozinha no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só! Já vi por-do-sol cor de rosa e alaranjado. Me joguei na piscina sem vontade voltar! Bebi uísque até sentir meus lábios dormentes, virei muitas doses de vodka em nariz de palhaço! Olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar! Senti medo do escuro, do travão!
Tremi de nervoso. Quese morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial! Joguei bebida nos outros. Acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Deitei nos asfalto e não quis levantar! Gritei de felicidade.
Briguei na balada, senti raiva de muita gente. Apostei corrida descalça. Me apaixonei e achei que era pra sempre, mas pra sempre era um "pra sempre" pela metade.
Ganhei canções. Cantei no chuveiro. Deitei no quintal na madrugada para ver a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão!
Descobri que pode-se amar, e amar. Tive vontade de partir, começar do zero. Pensei em desistir. Cometi algumas locuras. Errei . Acertei. Adorei. Amei.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardado num baú, chamado coração!"
domingo, 10 de outubro de 2010
Sutil Descoberta
Eu sempre acordei cedo pra festejar o sol lá fora.
Nunca me atrasei, perdi a hora.
Hoje eu acordei tarde.
Festejei o escuro,
depois o medo.
Acordei depois da hora,
vi alguma coisa indo embora.
E agora?
Silêncio.
É, hoje o dia foi do silêncio,
plausível, mas sem deixar de ser incômodo pra qualquer mente que, se estivesse ao meu lado, ouviria as minhas angústias gritando, de algum lugar aqui dentro.
Raiva.
Hoje o dia também foi da raiva,
irritantemente pegajosa, que sempre me leva a fazer o que eu não devia.
Lia, relia, relia, e lia.
Mais uma vez, só pra ainda sentir uma pontinha de esperança em não querer ler o que eu reli.
Dúvida.
O dia me levou a muitas dúvidas,
certo, errado, enrolado, acertado, junto, separado.
Qual é mesmo a resposta?
Nem sei mais quais são as perguntas.
Reflexão.
Por último e não menos importante, as reflexões são inevitáveis em minha vida.
Eu reflito o aflito, a aflição do que não quer me deixar em paz, nunquinha nessa vida.
Hoje eu acordei tarde,
mas não pra enxergar certas palavras,
atitudes e gestos que me fizeram mudar aqui dentro.
Sim, em um dia eu mudo muita coisa.
Vivo de evoluções.
Na realidade, revoluções.
Eu mudo e desmudo a hora que eu bem entendo,
e isso todo mundo já sabe, nem eu entendo.
Nunca me atrasei, perdi a hora.
Hoje eu acordei tarde.
Festejei o escuro,
depois o medo.
Acordei depois da hora,
vi alguma coisa indo embora.
E agora?
Silêncio.
É, hoje o dia foi do silêncio,
plausível, mas sem deixar de ser incômodo pra qualquer mente que, se estivesse ao meu lado, ouviria as minhas angústias gritando, de algum lugar aqui dentro.
Raiva.
Hoje o dia também foi da raiva,
irritantemente pegajosa, que sempre me leva a fazer o que eu não devia.
Lia, relia, relia, e lia.
Mais uma vez, só pra ainda sentir uma pontinha de esperança em não querer ler o que eu reli.
Dúvida.
O dia me levou a muitas dúvidas,
certo, errado, enrolado, acertado, junto, separado.
Qual é mesmo a resposta?
Nem sei mais quais são as perguntas.
Reflexão.
Por último e não menos importante, as reflexões são inevitáveis em minha vida.
Eu reflito o aflito, a aflição do que não quer me deixar em paz, nunquinha nessa vida.
Hoje eu acordei tarde,
mas não pra enxergar certas palavras,
atitudes e gestos que me fizeram mudar aqui dentro.
Sim, em um dia eu mudo muita coisa.
Vivo de evoluções.
Na realidade, revoluções.
Eu mudo e desmudo a hora que eu bem entendo,
e isso todo mundo já sabe, nem eu entendo.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
iô-iô
Acordando, sonhando
Indo, vindo
Parando, girando
Chorando, sorrindo
Querendo, negando
Acreditando, mentindo
Esquecendo, lembrando
Voltando, seguindo,
Errando, acertando.
Indo, vindo
Parando, girando
Chorando, sorrindo
Querendo, negando
Acreditando, mentindo
Esquecendo, lembrando
Voltando, seguindo,
Errando, acertando.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Notas da Discórdia
Ontem eu estava realmente angustiada.
Queria gritar pro mundo ouvir: EU QUERO QUE ESSAS NOTAS VERDES SE EXPLODAM!
Mas e daí né? As pessoas me olhariam e diriam : que pena dessa garotinha, tão novinha e já tão louca e perturbada.
Talvez eu seja.
Mas ontem, após sair de uma entrevista de emprego, eu estava querendo explodir, chorar, me descabelar.
Primeiro porque achei que tinha ido mal,
Depois, porque não queria ter ido bem.
Dá pra entender?
Saí de lá atordoada e com meu celular tocando freneticamente na bolsa, com milhares de pessoas me perguntando como tinha sido a tal da entrevista, se eu tinha ido bem e se eu tinha conseguido responder a maldita pergunta que me persegue sempre: "o que vc deseja pra você daqui 5 anos?", como se fosse a coisa mais normal do mundo todos saberem, quando na verdade tenho certeza absoluta de que até quem me perguntou isso, não sabe.
Enfim, a única coisa que me acalmou de primeira foi andar pela estação da Sé lotada de gente, em pleno horário de pico, ao som de New York, New York. Me deu vontade de sair dançando, juro.
Após isso, seguindo em direção à minha mais nova casa paulistana, fui abordada por um Sarau na estação Santa Cecilia, onde várias pessoas declamavam poemas lindos, e que me fizeram refletir.
Confesso que já estava quase me desmanchando em lágrimas ali mesmo, me sentindo desamparada e idiota, quando uma frase de um dos poemas me fez voltar em si.
"será que a essência humana é mesmo a porra do dinheiro?".
Aquilo trouxe dentro de mim uma revolta maior ainda, e olhando em volta de todas aquelas pessoas do sarau, eu vi que ali eles faziam o que gostavam, ali estavam felizes, se divertindo, trabalhando com prazer.
Pois é, quando é que eu vou achar algo que realmente me dê prazer?
Quando é que eu vou poder pensar no que eu gosto e quero, ao em véz do que me sustenta e me faz ter uma sobrevida aparentemente luxuosa?
Quando é que eu vou poder decidir quem eu sou o que eu quero e o que pretendo pra daqui 5 anos?
Já que não obtive resposta pra todas aquelas perguntas, a solução do momento foi sair dali, caminhar na chuva e chorar só um pouqinho, pra ver se aqueles pensamentos e medos se esvaiam em um pouco de salgadas lágrimas.
Queria gritar pro mundo ouvir: EU QUERO QUE ESSAS NOTAS VERDES SE EXPLODAM!
Mas e daí né? As pessoas me olhariam e diriam : que pena dessa garotinha, tão novinha e já tão louca e perturbada.
Talvez eu seja.
Mas ontem, após sair de uma entrevista de emprego, eu estava querendo explodir, chorar, me descabelar.
Primeiro porque achei que tinha ido mal,
Depois, porque não queria ter ido bem.
Dá pra entender?
Saí de lá atordoada e com meu celular tocando freneticamente na bolsa, com milhares de pessoas me perguntando como tinha sido a tal da entrevista, se eu tinha ido bem e se eu tinha conseguido responder a maldita pergunta que me persegue sempre: "o que vc deseja pra você daqui 5 anos?", como se fosse a coisa mais normal do mundo todos saberem, quando na verdade tenho certeza absoluta de que até quem me perguntou isso, não sabe.
Enfim, a única coisa que me acalmou de primeira foi andar pela estação da Sé lotada de gente, em pleno horário de pico, ao som de New York, New York. Me deu vontade de sair dançando, juro.
Após isso, seguindo em direção à minha mais nova casa paulistana, fui abordada por um Sarau na estação Santa Cecilia, onde várias pessoas declamavam poemas lindos, e que me fizeram refletir.
Confesso que já estava quase me desmanchando em lágrimas ali mesmo, me sentindo desamparada e idiota, quando uma frase de um dos poemas me fez voltar em si.
"será que a essência humana é mesmo a porra do dinheiro?".
Aquilo trouxe dentro de mim uma revolta maior ainda, e olhando em volta de todas aquelas pessoas do sarau, eu vi que ali eles faziam o que gostavam, ali estavam felizes, se divertindo, trabalhando com prazer.
Pois é, quando é que eu vou achar algo que realmente me dê prazer?
Quando é que eu vou poder pensar no que eu gosto e quero, ao em véz do que me sustenta e me faz ter uma sobrevida aparentemente luxuosa?
Quando é que eu vou poder decidir quem eu sou o que eu quero e o que pretendo pra daqui 5 anos?
Já que não obtive resposta pra todas aquelas perguntas, a solução do momento foi sair dali, caminhar na chuva e chorar só um pouqinho, pra ver se aqueles pensamentos e medos se esvaiam em um pouco de salgadas lágrimas.
domingo, 25 de julho de 2010
Felicidade
Posso dizer que hoje foi um daqueles dias onde nada, absolutamente nada, pode te tirar o sorriso do rosto.
Muito pelo contrário, tudo te faz esticar os lábios, traduzindo-os então em um belo semblante da mais pura felicidade.
A já manjada lotação do trem, crianças gritando e chorando e pessoas se empurrando, tornaram-se motivos nulos para uma possível e óbvia vontade de surtar.
Olhar pela janela do trem em movimento, foi fácil.
Sem pensamentos confusos, sem medos ou inseguranças.
Senti uma atmosfera de sossego no ar.
Hoje eu estou com essa estranha e, diga-se de passagem, nada comum, sensação de felicidade extrema.
Sinto que estou no lugar e na hora que eu realmente gostaria de estar.
Me sinto completa.
Muito pelo contrário, tudo te faz esticar os lábios, traduzindo-os então em um belo semblante da mais pura felicidade.
A já manjada lotação do trem, crianças gritando e chorando e pessoas se empurrando, tornaram-se motivos nulos para uma possível e óbvia vontade de surtar.
Olhar pela janela do trem em movimento, foi fácil.
Sem pensamentos confusos, sem medos ou inseguranças.
Senti uma atmosfera de sossego no ar.
Hoje eu estou com essa estranha e, diga-se de passagem, nada comum, sensação de felicidade extrema.
Sinto que estou no lugar e na hora que eu realmente gostaria de estar.
Me sinto completa.
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