quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Brisa Noturna

Os quatro cantos do quarto se sentem observados.
Deitada, meus olhos não se fecham.
Parece que a minha mente não aceita a minha estranha vontade de querer que o tempo passe logo.
Tudo acontece lentamente.
Os sons vindos da rua diminuem aos poucos e o silêncio toma conta do lugar. Mas não de mim.
Vozes e pensamentos percorrem a minha mente como formigas trabalhando em ritmo acelerado e, eu sei, mais uma noite em claro está por vir.
Ao sopro gelado da brisa que bate lá fora, e ao som da janela batendo em sua sincronia, paira no ar uma dúvida: existe um lugar certo pra mim?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ontem

Em certos dias fico tão distante, não sei se aqui, ali ou logo adiante.
Ouço vozes, risadas e gritos.
Mas nada que me faça decidir se realmente existo.
Outro dia eu tive medo, fui insegura e sem contento.
Anteontem eu mudei, cantei e dancei.
Ontem eu vivi em outro lugar.
Tinha pés e também asas pra voar.
Sentia, vivia e sorria.
Hoje minhas asas sumiram.
Eu canto em um canto e não sorrio.
Mas vivo.
Amanhã, eu sei, cansarei de viver na promessa de que um dia tudo o que eu desejo retorne.
Se eu não vejo vontade, porque então deixar o adeus pra mais tarde?
Faça o que tem que ser feito, antes que eu transborde.

Vou embora e talvez nunca mais volte.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Setembro e sua saudade

Fechei os olhos e lembrei de uma outra vida.
Um passado remoto, um resquício de um momento.
Ainda com os olhos fechados pude ouvir vozes, conversas e até mesmo risadas.
Eu sabia distinguir bem de quem eram as vozes e quase até o que elas conversavam.
Copos faziam barulho ao serem colocados na mesa, e o bule esquentando a água que fervia, parecia um assovio.
Abri os olhos e avistei uma janela.
Tive aquela sensação momentanea de quando durmo fora de casa e por um instante esqueço que não estou em meu quarto.
Olhei em volta e vi duas camas. Eu dormia em um colchão, entre as camas.
A almofada em que eu deitava era grande e tinha o desenho de um animal. Não me recordo bem ao certo se era um cachorro, um cavalo ou um gato. Mas sei que a escolhi porque gostei do desenho.
Estava frio ainda, era cedo. Mas entre as frestas da janela fechada, havia uma luz amarelada que me trazia a certeza de que o dia seria quente.
Mais um dia de verão onde eu sairia no quintal e criaria mil e um jeitos de me divertir.
De repente, a porta do quarto que estava entreaberta abriu-se por completo, e um semblante surgiu em sua frente.
Fechei os olhos, mas mesmo assim pude sentir que alguém me cobria.
Meu cobertor era grande, e esquentava muito. Sempre me deixavam usá-lo quando eu aparecia por lá.
Me senti bem.
A porta tornou a se fechar e eu, a abrir os olhos.
Eu não estava mais lá.
Tudo aquilo virou pó, passado, lembrança.
Há 3 anos, uma saudade que permanece e retorna forte e dolorosa, sempre quando setembro chega.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Regenere-se

Todo dia travo uma batalha com a minha mente, as vezes a gente se entende outras vezes me pergunto se alguém realmente sente.
No fim do dia, regenero o que sobra de mim e procuro os milhares de pedaços que se perderam e sumiram de repente.
Refaço alguns passos, me confundo em outros espaços.
O brilho das coisas fraqueja feito uma lâmpada antiga que está prestes a queimar, e eu sei que preciso de um tempo na escuridão para reaprender a enxergar.
Certas coisas já não fazem mais o menor sentido, e o meu desejo doce de ontem, hoje sangra, grita e pede desesperadamente que tudo se torne por fim, um fim.
Eu já não quero mais estar lá porque é distante, frio e doloroso.
O amanhã me parece ser mais bonito, basta eu decidir voltar a brilhar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O medo de sofrer bloqueia pensamentos e sentimentos.
Faz de nós pessoas covardes e erradas.
Esqueceram que sem o sofrimento não há alegria?
Esqueceram que é no sofrimento que muitas vezes aprendemos o que é ser feliz?
Perdemos, diariamente, coisas e pessoas que poderiam realmente nos fazer felizes no futuro, por acharmos que sofreríamos muito.
Já escutei a frase: se não tentarmos, nunca saberemos.
E já vi muitas pessoas que ficaram sem saber.
Eu, um dia hesitei, e quase perdi a chance de saber.
Mas foi depois dessa frase que decidi tentar e, hoje sei, não mudaria nada.
Mas, confesso, nem eu entendo isso sempre.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sexta - feira

Em uma sexta- feira normal como todas as outras, sozinha em casa a procura de algo pra comer, resolvi pedir comida no restaurante do lado. Nada melhor do que uma macarronada. A comida chegou, peguei a encomenda rapidamente enquanto a fome só aumentava. Coloquei no prato e lembrei q ainda faltava o essencial: o famoso e querido queijo ralado.
Fui abrir o pacotinho de queijo ralado do jeito mais ensandecido e esfomeado do mundo mas, ao em vez de eu pegar uma tesoura ou qualquer coisa pontiaguda que cortasse o pacote, fiz força e tanto fiz, que quando me dei conta havia queijo ralado espalhado por todos os lados, em mim e no chão.
E, de repente, percebi que além de mim, haviam mais duas criaturinhas me acompanhando na saga do pacote e, ambas criaturinhas peludas e pretas estavam brancas de queijo ralado.
Meus gatos só olharam pra mim com uma cara de, eu tenho quase certeza que acerto, de desaprovação.
Se fosse em qualquer outro contexto, eu estaria irritadíssima com a situação mas, de olhar pra cara deles e vê-los resolver aquilo com tanta prática e calma (um lambendo o outro), a única coisa que senti vontade de fazer, foi rir.
Gargalhei sozinha como não fazia há tempos, e percebi que são realmente muito simples as coisas que me fazem tão bem.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Re-Começo

Se eu soubesse que minhas atitudes passadas pudessem refletir tanto o que eu represento hoje quando me olho no espelho, desistiria de mim logo no primeiro passo para trás que dei por medo.

Me transformei em um ser que não tem para onde escapar e vive em uma eterna luta com o próprio inconsciente.

Tenho medo de dar um passo a frente e cair no buraco que se abriu quando eu finalmente enxerguei como a minha vida está hoje e, desde então, permaneci estagnada.

O orgulho, o medo de perder, e o ciúmes fizeram de mim uma pedra. Uma pedra mais dura do que quando eu pecava por não sentir nada.

Fiz uma barreira invisível que me impediu de ser feliz e de fazer feliz qualquer pessoa que estivesse a minha volta. E é por isso que perdi o que mais me valia a pena.

Cada segundo da minha vida vai me lembrar disso até que se esgotem os dias tristes e finalmente eu resolva seguir em frente.

Mas entre finais, buracos e pedras, eu desejo um recomeço feliz para mim e para quem, por um acaso, estiver sofrendo como eu.

Gosto de pensar que o futuro nos guarda momentos melhores do que os atuais e sem as nuvens pelas quais passamos todo esse tempo.

Aceitar a impermanência das coisas é um longo aprendizado.

Quanto mais vivemos, mais aprendemos.

Seja perdendo ou ganhando. Uma hora, ganhamos.

Aceitar em paz, é sabedoria.

Enquanto isso, eu estou aqui, a espera de que o vento me diga a onde e como recomeçar.